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terça-feira, 8 de maio de 2012

O cardeal Dolan e os problemas de "laringite" da hierarquia

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Não são tempos de tédio para o cardeal Timothy Dolan, arcebispo de Nova Iorque. Desde há meses, como presidente da conferência episcopal dos Estados Unidos, Dolan personifica a oposição ao decreto da administração Obama que irá obrigar empresas e instituições a incluir a contracepção entre os serviços cobertos pelos seguros de saúde que pagam aos seus empregados

Pareceram-me particularmente interessantes as últimas três referências amplas dedicadas ao arcebispo de Nova Iorque: um perfil publicado na Newsweek, um artigo-entrevista com várias citações no The Wall Street Journal e uma entrevista televisiva à Fox News. Nos três, ao lado de uma atitude positiva, aparece o respeito de Dolan pelo "adversário" Obama, aparece o esforço por focar o conflito como uma ameaça à liberdade religiosa (e não como uma discussão sobre a contracepção) e a abertura para debater assuntos em que a mesma hierarquia da Igreja (a que ele pertence) agiu mal. 

Sobre este último ponto diz, por exemplo: "não me assusta admitir que é desafio interno para a catequese – um desafio grande como uma torre – convencer a nossa própria gente sobre a beleza moral e a coerência daquilo que ensinamos. É tarefa gigante".

Sobre a contracepção, admite que "muitos de nós" ao considerar que se trata de um tema impopular pensámos inconscientemente: "o melhor é não falar sobre isso", e deu-se um vazio.

Depois, a crise dos abusos "intensificou a nossa laringite para falar dos temas da castidade e da moral sexual". A atitude era: "depois do que fizeram alguns bispos e padres, embora uma minoria,  como é que eu posso ter alguma credibilidade para falar disso?".
E, no entanto, o arcebispo diz que encontra, especialmente entre os jovens adultos, "uma fome" de uma voz mais autorizada da Igreja sobre sexualidade. "(Esses jovens) apressam-se a dizer que talvez não sejam capazes de lhe obedecer, mas querem ouvir essa voz. Por uma questão de justiça, tu, como pastor, precisas de nos falar. Precisas de nos desafiar".

sábado, 15 de janeiro de 2011

A Europa que temos

Folheamos a dita agenda e encontramos indicações consideradas úteis sobre sexo seguro, como deixar de fumar, ser tolerante e combater a xenofobia.

Há sete anos que existe esta agenda, mas desta vez resolveram incluir referências às principais festas religiosas. Assim, a “Agenda Europa” assinala as festas dos judeus,
dos muçulmanos, dos hindus, fala do ano chinês… mas, sobre as festas do cristianismo nem uma só palavra. A maior religião da Europa não merece qualquer referência…

Por exemplo, abrimos a agenda no dia 25 de Dezembro e ficamos a saber que a primeira árvore de Natal surgiu na Estónia no século XV… e se formos ver o que diz a agenda no Domingo de Páscoa, encontramos umas breves linhas sobre a deusa Europa.
Choveram protestos da França, Polónia, Itália, Irlanda e Espanha. Durão Barroso mandou dizer que vai fazer três milhões e duzentas mil erratas para juntar às agendas já distribuídas.
É a Europa que temos!

Fonte RR - Aura Miguel

terça-feira, 9 de março de 2010

O Padre Jorge Loring S.J.

Padre Loring, aos 89 anos, faz da internet seu púlpito. Trabalha 12 horas por dia.

Nesse último ano esteve seis meses na América dando palestras e conferências pela metade do continente, além de participar de programas de rádio e televisão.

Acaba de publicar “Mais de 200 respostas de perguntas que você tem feito sobre a fé, a moral e a Doutrina católica” (Vozdepapel), onde aborda as principais e repetidas preocupações e dúvidas, e suas adequadas respostas às mais de 50 mil perguntas que lhe fizeram através da internet nos últimos anos. E continua a responder a todas as perguntas em jorgeloring@gmail.com

–Quando e por que o senhor viu a necessidade de utilizar as novas tecnologias para a evangelização?
–Padre Loring: Porque penso que devemos aproveitar os avanços da tecnologia para evangelizar. Por isso comecei a utilizar a internet assim que começou, faz uns 10 anos. Quando, nos jogos Olímpicos de Atlanta (EUA), um terrorista colocou uma bomba, eu descobri que ele aprendeu a fazer bombas pela internet, e eu disse: “A internet serve para fazer terroristas, por que não serviria para fazer católicos?”. E assim foi. Tenho recebido e-mails de ateus e protestantes que abraçaram a fé católica depois de ler meu livro. Com a ajuda de Deus!

–Então, poder-se-ia dizer que o senhor foi um dos primeiros sacerdotes a utilizar a internet?
–Padre Loring: Possivelmente. Mas não me consta ser o primeiro.

–Quantas perguntas e preocupações foram respondidas nesses anos?
–Padre Loring: Mais de cinquenta mil.

–Quantas horas dedica ao dia para respondê-las?
–Padre Loring: Quando não estou viajando, umas dez horas ao dia. Muitas perguntas eu respondo assim que chego. Outras tenho de pensar quando me dirijo à missa, pois em meu escritório não paro de escrever. Não sei tudo. Às vezes consulto os companheiros jesuítas de minha comunidade ou mesmo pergunto para algum especialista do tema. Muitas vezes já tenho escritas: copio, colo e mando. Pois muitas perguntas se repetem.

–Quais são as dúvidas mais comuns: fé, moral ou doutrina?
–Padre Loring: As de moral. Muita gente têm preocupações de consciência. Precisam de orientação. Talvez o anonimato da internet as ajude. Também são frequentes as perguntas sobre textos bíblicos. Por isso publiquei um livro chamado “Os Evangelhos com 2.000 dúvidas resolvidas” (Planeta+Testimonio).

–Qual é a preocupação comum e mais “universal” que já perguntaram?
–Padre Loring: As relacionadas com acusações de protestantes sobre a Igreja Católica. Muitos internautas são da América Latina, e ali estão invadidos por seitas que os enganam com mentiras.

–Qual a resposta mais difícil de responder?
–Padre Loring: As dos casados na Igreja, divorciados, e que voltaram a se casar que desejam comungar. Nem sempre se pode dizer o que eles gostariam de ouvir.
Outra questão é o controle da natalidade. Existem muitos matrimônios nos quais não querem mais ter filhos, e quando é dito a eles que a solução é o método de Billings, não confiam. Contudo, está provado que o método de Billings é o mais seguro, saúdavel, barato, simples e mais moral.

–O senhor tem 88 anos, e em breve completa 89. Na sua idade não gostaria de estar felizmente aposentado?
–Padre Loring: De forma alguma. O que peço a Deus é ser útil até a última hora.

–O que mantém o senhor com essa vitalidade?
–Padre Loring: Creio que o sacerdote deve evangelizar enquanto não está impossibilitado. Agora tenho vários projetos apostólicos que acredito ser de muita glória para Deus. Peço a Deus que me mantenha vivo até que os realize.
Entre outros estou gerenciando a tradução para o chinês de “Para Salvar-te”, por um professor de Xangai. Quando estiver pronta, penso em colocá-la na internet para que todos os chineses possam ler gratuitamente. Certamente que alguns, ao se informar sobre a religião católica, abraçarão nossa fé.

–Quando viu que em sua vocação sacerdotal estava também sua vocação de divulgador?
–Padre Loring: Desde quando eu era um jovem estudante jesuíta comecei a falar em quartéis e prisões. Como jesuíta, me mandaram falar para quinze soldados de um quartel. Minhas pernas tremiam debaixo da batina. Hoje, se eu estiver diante de três mil homens ou de câmeras de televisão fico tão tranquilo como quando eu escrevo.

–Quantos livros foram vendidos de seu famoso “Para Salvar-te”?
–Padre Loring: Mais de 1,3 milhão na Espanha. Além de ter edições no México, Equador, Peru e Chile. E foi traduzido para o inglês em Los Angeles (Califórnia), para o árabe no Cairo e para o hebreu em Jerusalém, hoje está sendo traduzido para o russo em Moscou e para o chinês em Xangai.

–Continuam convidando o senhor para conferências na América?
–Padre Loring: Há muito tempo vou todos os anos. Em 2009 dediquei à América seis meses, e dentro de dois meses voltarei. Será minha 77ª travessia do Atlântico. O ano passado dei conferências em Miami, San Diego, doze cidades do México, Bogotá, Medellín e Lima. Agora volto a repetir algumas e participarei em novas cidades.

–Quantas pessoas o senhor calcula que já falou diretamente ao longo de sua vida?
–Padre Loring: Creio que centenas de milhares, pois fiz milhares de palestras e em muitas delas foi superado o número de mil espectadores. Tenho fotos de enormes auditórios e teatros, universidades, fábricas, etc. Durante vinte e cinco anos fiz palestras mensais em três grandes fábricas navais da Baia de Cadiz, de 3 a 4 mil trabalhadores em cada uma, com participação de 90% dos trabalhadores.

–Qual é para o senhor a atividade apostólica mais importante que já teve?
–Padre Loring: Minhas intervenções na televisão norte-americana EWTN, da Madre Angélica, onde gravei quarenta episódios de meia hora, que se repetem faz anos, são transmitidos semanalmente e, segundo me disseram, 80 milhões de pessoas assistem em toda a Hispanoaméric.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Condenação europeia do crucifixo nas escolas suscita perplexidade

Com amargura e sobretudo com perplexidade, a Conferência Episcopal Italiana (CEI) recebeu a sentença do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, com a qual se condenou hoje este país por colocar crucifixos nas escolas.


Um comunicado de imprensa, emitido pela Sala para as Comunicações Sociais da CEI, baseando-se em uma primeira leitura da sentença, considera que nela “se impôs uma visão parcial e ideológica”.

O caso havia sido apresentado ao Tribunal de Estrasburgo por Soile Lautsi, cidadã italiana de origem finlandesa, que em 2002 havia pedido à escola estatal Vittorino da Feltre, de Albano Terme (Pádua), na qual estudavam seus dois filhos, que tirasse os crucifixos das salas. A direção da escola se negou, por considerar que o crucifixo faz parte do patrimônio cultural italiano e, posteriormente, os tribunais italianos deram razão a este argumento.

Segundo a sentença de Estrasburgo, o governo italiano terá de pagar à mulher uma indenização de 5 mil euros por danos morais.

A primeira sentença da história desse tribunal em matéria de símbolos religiosos nas salas de aula considera que a presença do crucifixo na escola constitui “uma violação dos direitos dos pais de educarem seus filhos segundo suas convicções” e da “liberdade dos alunos”.

Segundo anunciou o juiz Nicola Lettieri, que defende a Itália no Tribunal de Estrasburgo, o governo italiano entrará com um recurso contra a sentença.

O comunicado de imprensa do episcopado italiano considera que esta sentença “suscita amargura e muitas perplexidades”.

“Ignora ou descuida o múltiplo significado do crucifixo, que não somente é um símbolo religioso, mas também um sinal cultural – acrescenta a nota. Não leva em consideração o fato de que, na verdade, na experiência italiana, a exposição do crucifixo nos lugares públicos está em harmonia com o reconhecimento dos princípios do catolicismo como parte do patrimônio histórico do povo italiano, confirmado pela Concordata de 1984”, que regula as relações Igreja-Estado nesse país.

“Dessa forma, corre-se o risco de separar artificialmente a identidade nacional das suas origens espirituais e culturais”, esclarece.

Segundo o episcopado, “não é certamente uma expressão de laicidade, mas uma degeneração em laicismo, a hostilidade contra toda forma de relevância política e cultural da religião”.

(Zenit 03.11.2009)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Melhores estratégias de mídia para as Igrejas

A cobertura inadequada que os meios de comunicação fazem do campo religioso é um problema frequente, mas um especialista insiste em que as Igrejas têm de comunicar muito melhor a sua mensagem.

Phil Cooke é filho de um pastor e dirige sua própria empresa de consultoria e produção de mídia, a Cooke Pictures. Em dois livros recentes, ele analisa as mudanças na cultura popular e como a geração mais jovem utiliza os meios de comunicação. Se as Igrejas querem-se fazer ouvir, elas precisam responder adequadamente à nova situação, ou correm o risco de não serem escutadas.

Apesar dos livros terem sido escritos no contexto das Igrejas evangélicas nos EUA, há pontos válidos para qualquer análise de religião e mídia.

Em seu livro de 2008, "Branding Faith: Why Some Churches and Non-Profits Impact Culture and Others Don't” (Regal), ele admite que a ideia de usar a linguagem como a marca em um contexto religioso pode ser inadequada.

Ao final, porém, a questão não é apenas um exercício superficial de marketing, mas sobre como as pessoas percebem a organização e sua mensagem. Sua proposta não é a tentativa de dar uma nova marca à fé cristã, ideia que ele descreve como absurda, mas definir como expressar a fé em uma cultura midiática dominante.

Para ilustrar algumas das mudanças na cultura contemporânea, Cooke observa que o termo mídia de massa já não é exato. Hoje, a mídia está mais para a personalização. O número de canais de televisão explodiu nos últimos anos, a Internet abriu novas possibilidades de comunicação e a audiência das principais estações de TV e jornais declinou drasticamente.

Ainda mais importante que isso é a atitude do espectador, que é muito diferente. No passado, líderes das Igrejas e comunicadores cristãos pensavam que tinham as respostas para o que seu público queria, e que a audiência iria ouvir. No entanto hoje o espectador está mudando, e o desafio é fazê-lo ouvir e responder.

Percepção

A chave da eficácia de uma marca está na percepção, de acordo com Cooke. Isso é evidente tendo em conta o fascínio pelas celebridades. Hoje, basta estar na mídia para se tornar famoso, sendo a contrapartida real não mais necessária, ele salientou.

Nesse sentido, é útil observar o modo como a publicidade passou de informativa para emocional. Muito frequentemente, hoje, quando vemos um anúncio, não é sobre o produto. Ele nos diz como nos sentiremos ao usarmos o produto.

Enquanto as Igrejas podem considerar a questão da percepção como uma mera ferramenta manipuladora, Cooke recomenda que consideremos o seu potencial positivo.

Uma boa marca comunica ideias, valores e padrões. Há, evidentemente, um lado negativo das marcas, Cooke admite. A compra e venda de produtos através da manipulação e distorção altera nossas prioridades.

Por outro lado, Cooke argumenta que muitas vezes as Igrejas têm feito um trabalho pobre de comunicação com a sociedade. Para atingir uma cultura pós-cristã, precisamos falar em uma linguagem que ela entenda. Isto significa respeitar seus valores –mesmo que não se concorde com eles– e ser atraente o suficiente para despertar sua atenção.

"Se nós queremos ter sucesso em comunicar uma mensagem de esperança, temos de perceber que a cultura não pensa do mesmo modo que nós", Cooke observou.

Mundo digital

Em seu livro publicado no início deste ano, "The Last TV Evangelist: Why the Next Generation Couldn't Care Less About Religious Media and Why It Matters" (Conversant Media Group), Cooke enfatizada como nesta era da informação instantânea a percepção importa mais do que nunca.

"A geração anterior se satisfazia em ouvir o último sermão, mas os contemporâneos querem ser parte do diálogo, eles precisam dar a sua contrapartida, ou não vão se interessar", Cooke adverte.

Portanto, Cooke sugere que se comece a desenvolver a cultura de ouvir. Ele também assinala que um único meio não é capaz de captar toda a atenção de um consumidor.

Quanto mais opções midiáticas estiverem disponíveis, ao invés de eliminar as escolhas anteriores, as novas serão simplesmente mescladas a elas. Isso significa que oferecer simplesmente um programa de TV ou de rádio não é suficiente.

Cooke também insiste em que as Igrejas precisam levar em conta o crescimento das redes sociais. Poucas pessoas com menos de 30 anos não têm uma página pessoal em um site de rede social, ele salientou.

O marketing em favor de uma causa é outra característica dos últimos tempos. Empresas têm descoberto que o apoio à caridade pode ser bom para os negócios. A geração mais nova é atraída pela caridade. Ao invés de apenas doar dinheiro, ela se interessa pela causa.

Tecnologias móveis e blogs são outras ferramentas que Igrejas têm de prestar mais atenção, Cooke argumentou.

Recomendações

Nos seus dois livros, Cooke faz uma série de recomendações aos líderes religiosos sobre a forma de comunicar melhor a sua mensagem.

Um dos principais pontos é sobre o poder das imagens. Os jovens de hoje falam a linguagem do design, ele comentou. Portanto, se a Igreja quiser causar impacto, o design é a linguagem que temos de aprender. Sem um elemento visual, atingir as pessoas hoje em dia se torna mais difícil.

Cooke também adverte contra o perigo de perseguição da relevância. "A maioria das pessoas trabalha arduamente para ser relevante e acaba caindo infelizmente na irrelevância", ele observou. O erro é confundir relevância com tendência. Relevância não é perseguir modismos, ele diz, mas se trata de firmar-se nas verdades eternas.

Especialmente no seu segundo livro, Cooke criticou a tendência de se concentrar nas mensagens negativas. Boicotes e campanhas negativas simplesmente não funcionam, ele diz.

"Hoje, os cristãos são conhecidos como as pessoas que são contra tudo". "Deveríamos ser conhecidos como pessoas que são a favor de alguma coisa, algo positivo que pode transformar vidas e impactar a cultura", argumentou Cooke.

É claro –ele acrescentou– que é perfeitamente adequado nomear o mal pelo que ele é, e mobilizar-se para mudar esta situação. O que devemos evitar, no entanto, Cooke recomenda, é fazer-se inimigo de determinada questão.

Cooke também sustentou que, no futuro, não iremos falar sobre mídia cristã, mas sobre cristãos que criam mídias. Não é sobre como criar um "porto seguro", onde podemos viver protegidos do mundo, mas sobre envolver a cultura contemporânea e comunicar a mensagem evangélica.

Significado

Ele também argumenta que a busca de sentido é a mais poderosa força no mundo. O que precisamos fazer é mostrar à sociedade que nós não estamos contra ela, que temos uma história atraente, e que a história pode mudar as suas circunstâncias. Quando isso acontecer, eu acredito que eles irão escutar, afirmou Cooke.

O autor criticou a tendência de algumas Igrejas cristãs de fornecer respostas simplistas e fácies para o público. Temos de admitir, argumentou ele, que muitas vezes as respostas corretas são difíceis. Nesse sentido, os esforços midiáticos das Igrejas tentarão conquistar a audiência nas questões, e então tentar ajudá-la e encontrar respostas.

Precisamos manter nosso foco em alcançar o mundo com uma mensagem de esperança, Cooke concluiu. Um tema que tem sido prioridade de Bento XVI, em particular em sua encíclica dedicada à esperança.

Nosso foco, Cook conclui, deve ser atingir o mundo com uma mensagem de esperança. Um conselho benéfico para qualquer Igreja.

Zenit

domingo, 26 de julho de 2009

A boca


A semana passada sairam algumas notícias sobre a preocupação que se deve ter nas celebrações litúrgicas para evitar o contágio com a gripe A. Acho que do ponto de vista da comunicação a Igreja saiu-se muito bem, foi oportuna e naturalmente todos os MCS pegaram na notícia.

Igreja altera regras nas missas para prevenir contágio da gripe

Acontece que muitos dos jornalistas, não especializados e pouco familiarizados com a terminologia da Igreja, ao cobrirem esta notícia meteram as mãos pelos pés e deram a entender que haveria uma mudança substancial nas normas litúrgicas.

É curioso observar o lado formal da comunicação neste caso, o timing escolhido para fazer chegar a informação e o desencadeamente.

Depois do comunicado feito pelo director da Pastoral Nacional da Saúde, o Patriarca de Lisboa fez sair um outro comunicado que diminui bastante e desvaloriza tudo aquilo que foi dito anteriormente.

Imagino que para quem olha de fora a forma como a Igreja comunica deve parecer muito caricato para não dizer contraproducente. Fica-se com a ideia de que não há coordenação, nem união e muito pouca comunhão.

Não se entende muito bem se este segundo comunicado visava esclarecer os jornalistas ou pôr no sítio o P. Feytor Pinto. Julgo que as sugestões dadas pelo padre são do senso comum e ainda por cima em perfeita coordenação com o SNS. Nunca teve a pretensão de alterar quaisquer regras litúrgicas e sabe muito bem qual é o seu lugar na Igreja.

Um outro problema que poderia ter sido evitado é a fuga de informação para os MCS antes de informar os párocos. É verdade que a TV faz chegar a mensagem mais rapidamente a um maior número de pessoas mas corre-se o risco da mensagem ser deturpada, o que acabou por acontecer.

Acredito que a tão referida "dignidade" é um presuposto importante mas não nos protege da gripe A.

Quanto aos jornalistas que tratam estas máterias, alguns deles continuam a não querer apreender a comunicar correctamente na linguagem da Igreja, mas este é outro assunto que vale a pena reflectir noutra altura.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

LIDERANÇA, FÉ E FUNÇÃO SOCIAL DO PATRIMÓNIO NA CANONIZAÇÃO DE S. NUNO DE STA. MARIA

A função social do património, a par da liderança e da expressão pública da fé formam algumas das notas que o reitor da Universidade Católica, o professor Manuel Braga da Cruz, desenvolveu no último encontro da ACEGE, associação dos empresários cristãos.

Não se intitulando um “expert” no tema de S. Nuno de Santa Maria, ou D. Nuno Álvares Pereira, um herói nacional da transição dos séculos XIV para o XV, Braga da Cruz começou por afirmar a sua ligação do Santo aconteceu na instrução primária e no secundária, onde frequentou escolas com o nome do Condestável, para além de pertencer à comissão de Sta. Maria.

A recente canonização de D. Nuno Álvares Pereira começou por criar um embaraço a homens públicos, que não sabiam se haveriam de estar presentes na cerimónia ou fora dela. Houve mesmo quem afirmasse, naquele momento, sublinhou Braga da Cruz, que esta
“foi uma canonização fora de prazo” e foi com esta temática que o reitor da Universidade Católica defendeu a tese perfeitamente contrária.

Esta canonização é a primeira de um herói nacional na época da globalização. O Papa Bento XVI falou em herói nacional que foi capaz de estender o território nacional por novos oceanos e que permitiu a chegada dos evangelhos o que, reflectido nos tempos de hoje, significa a importância das missões numa época de globalização. E o
Santo Padre, frisou o reitor, quis sublinhar a matriz social na identidade nacional. Braga da Cruz parafraseou o escritor José Saramago que há uns anos terá dito numa cerimónia ocorrida no Colégio S. João de Brito, em Lisboa, que “culturalmente falando, todos somos católicos”.

Na verdade, afirmou o professor Braga da Cruz, “a globalização não é dissociável das nacionalidades”. Esta não substitui as identidades nacionais ou locais e mais, “em tempos de globalização as identidades nacionais assumem importâncias maiores”. E com esta canonização, um dos primeiros objectivos do Papa foi afirmar a relevância das “matrizes culturais nas identidades nacionais”.

O interlocutor realçou os dramas vividos na ex-URSS ou nos Balcãs, pois não será com processos políticos que se apagam culturas. Outro objectivo do Papa Bento XVI foi realçar a presciência de D. Nuno Álvares Pereira, da legitimidade nacional sobre a legitimidade dinástica. Foi D. Nuno Álvares Pereira quem, com o apoio popular, proclamou a legitimidade do Mestre de Avis, afirmando a prioridade da dimensão nacional.

A NACIONALIDADE
D. Nuno Álvares Pereira vivia num período em que não havia nações com as monarquias a usarem a religião para afirmar o respectivo poder, mas este também foi um período em que começaram a emergir nações, tendo o Papa reconhecido a sua laicidade sobre a estratégia do espírito.

Uma segunda nota de Braga da Cruz prende-se com a canonização do Condestável em termos de pacifismo antimilitarista. Não nos podemos esquecer de que o Papa disse que ele era um “exímio chefe militar” e esta afirmação é feita nos tempos modernos onde, nas sociedades do bem-estar, se tende a delegar em outros as tarefas de segurança e defesa.

Nas sociedades modernas os valores típicos foram-se alterando, passando de valores como a segurança, ordem e autoridade para valores do ambiente, participação cívica e qualidade de vida. Acontece que o Papa, para canonizar um chefe militar – que pertencia a uma das mais importantes ordens de cavalaria europeia -, quis chamar a atenção para as forças de segurança e a necessidade de acautelar a paz, e isto porque a segurança não é um dado adquirido.

O Papa colocou em evidência a vida de uma personagem que nunca desenvolveu guerras agressivas, apenas defensivas e foi, por isso, convertido em exemplo do militar cristão, sendo guerreiro e santo.

LIDERANÇA
Esta canonização acontece em tempos de necessidade de liderança e nisso foi,mais uma vez, um exemplo. Hoje, sublinhou Braga da Cruz, há uma debilitação das lideranças, há uma crise de autoridade. S. Nuno de Santa Maria tinha capacidade de liderança e mobilização porque aquilo que era importante era a qualidade e força de espírito,
valores que o Papa quis sublinhar ao avançar para a canonização.

Esta pode ser ainda entendida como expressão pública de fé. D. Nuno Álvares Pereira rezava muito e rezava em público e agradecia muito, exprimia-se em piedade na vida social. Aquilo que se pode inferir é que a religião “não se confunde com privacidade, a religião tem dimensão pública e comunitária” e o Condestável dava-lhe essa expressão pública.

A concepção solidária do património é outra temática de estudo em Nuno Álvares Pereira. Não se trata aqui da história conhecida em que largou todos os seus bens e se fez deliberadamente pobre. A questão é a da função social do património no final do século XIV, que permitiu a solidificação da Casa de Bragança e cujo impacto se prolongou pelos três séculos seguintes.

A compatibilidade da propriedade com a matriz social foi algo inovador. Braga da Cruz sublinha um facto exemplar de como soube dar divulgação social da propriedade privada, ou a forma como entendeu a relação com os bens patrimoniais.

CRISE DE VALORES
Esta canonização ocorre num período de grande crise de valores. O reitor da Católica sublinhou que “houve falta de valores na ordem dela (crise económica)” e ainda que a situação actual “representa uma enorme debilidade dos valores sociais”. Com esta canonização, o interlocutor frisou que o Papa não quis satisfazer os portugueses,
mas apresentar (D. Nuno Álvares Pereira)à igreja universal.

S. Nuno de Santa Maria foi “grande na forma como sempre soube encontrar os valores da Fé”, concluiu o professor Manuel Braga da Cruz.

Vítor Norinha - OJE 06.07.2009

segunda-feira, 15 de junho de 2009

En la comunicación está la salvación



En la comunicación está la salvación
VEN AL ÁGORA

Quedan 2 días para salvarte

www.todonoescomunicacion.com

Agora de la Comunicación - 18 Junio
Campo de las Naciones, Madrid

Acabei de receber este curioso convite para participar num cíclo de conferências dedicadas à comunicação. Chamou-me à atenção o recurso à terminologia religiosa, um pouco confuso mas correcto. Gostaria de saber quais os resultados obtidos através desta acção.

Silenciar a religião?

Um estudo realizado pelo jornalista José António Santos sobre as notícias difundidas pela agência Lusa no ano de 2008 indica que os assuntos de natureza religiosa não chegaram a 1 por cento da produção geral da agência. Ficaram-se por 0,71%, tendo atrás de si apenas dois temas: meteorologia e agenda.

Sabendo-se do peso da Lusa no fornecimento das redacções da generalidade dos media nacionais, fácil se torna compreender uma tomada de posição e de alerta da Igreja Católica, esta semana surgida entre nós. As conferências episcopais de Portugal e de Espanha, através das respectivas comissões especializadas de comunicação social, reunidas em Braga, sugerem que a dimensão religiosa e cristã, que faz parte da realidade social e cultural em que vivemos, está a ser silenciada nos media.

Os bispos chamam a atenção para uma atitude de suspeita sobre a presença do facto religioso cristão na esfera pública e para o desejo de “relegar a dimensão religiosa para o âmbito privado, sem deixar espaço para Deus na opinião pública”.

O tema nem se limita à religião nem será específico dos católicos e eu diria que é, antes de mais, um problema cultural, que ganharia em ser discutido como tal. Para tal, importa encontrar critérios que sirvam como referenciais para o debate e para a acção e que possam ser, digamos assim, conversados entre todos, sejam crentes ou não. Um deles julgo que seja a expressão social da dimensão religiosa, que parece indesmentível.

Outro é a relevância histórica desta componente no forjar da nossa identidade colectiva. Poderíamos acrescentar ainda um factor de equidade – atendendo à visibilidade social e cultural que outros fenómenos da vida das pessoas adquirem no espaço público.

Quanto aos media, parece-me preocupante o silêncio. E não é pelo facto de alguns deles terem cronistas ou transmitirem celebrações que o problema diminui. Porque o que está aqui em causa é a cobertura noticiosa – notícias breves ou contextualizadas,
entrevistas, reportagens, investigação jornalística.

Claro que muitos crentes e alguns hierarcas gostariam de ver os media sobretudo como ‘púlpito’. Claro, também, que os crentes e as religiões instituídas precisam de aprender a comunicar muito melhor. Mas nada disso justifi ca o silêncio, porque o jornalista não é (não deve ser) aquele que fi ca à espera que a notícia lhe venha parar às mãos.

RR - Manuel Pinto
Professor da Universidade do Minho