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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Os títulos dos jornais ficaram obcecados?


Da extensa entrevista do Papa Francisco à Civiltà Cattolica o que vai chegar ao grande público são as passagens citadas pela imprensa e, em muitos casos, pouco mais que os títulos.

Por isso, muitos leitores vão ficar com uma visão muito distorcida do conteúdo. Os títulos dos jornais são livres, mas também são indicadores de quais as preocupações essenciais de cada órgão, da mensagem que quer transmitir e do que espera da Igreja.


Para alguns, toda a entrevista se resume a uma frase do Papa: "Não podemos insistir somente sobre questões ligadas ao aborto, ao casamento homossexual e uso dos métodos contraceptivos. (...) Mas quando se fala disto, é necessário falar num contexto."  Só nesta e noutra pergunta há referências aos homossexuais e ao aborto.
Obviamente é uma frase significativa, mas para os media alérgicos ao pensamento da Igreja nestas questões, isto é o essencial da entrevista, conforme se deduz dos títulos.
  • O El País espera que a Igreja desista destes temas e se junte ao jornal: "O pontífice defende a promoção da mulher na Igrejae que se deixe de batalhar no aborto, no casamento gay e nos anticonceptivos". Rendam-se, para vosso bem...
  • "Não podemos insistir só no aborto e nos gays", resume El Mundo, embora seja um jornal que fala dos gays até à saturação, venha ou não a propósito, e sempre com orgulho.
  • O La Repubblica garante que o Papa "pede afecto para os gays e para as mulheres depois do aborto", sem que fique claro se o afecto inclui a rectificação ou a legitimação da sua conduta.
  • E o New York Times sentencia: "O Papa diz que a Igreja está obcecada com gays, aborto e controlo da natalidade". Há que deduzir que só se está obcecado com estes temas quando se está contra, porque quando se está a favor – como é o caso do New York Times – então não se está obcecado, mas comprometido. Basta ver a doutrinação habitual do diário de Nova Iorque sobre o casamento gay.

A Igreja, e o Papa nesta entrevista, fala também de muitas outras coisas. Fala de misericórdia, fé, pecado, governo da Igreja, ajuda aos pobres, liturgia, evangelização, sacerdócio... Mas para estes temas os media são impermeáveis, porque não encaixam nas suas obsessões particulares. Por isso não costumam informar sobre isso.

A Igreja só é notícia quando fala de alguma coisa relacionada com o sexo, e nessa altura é preciso criticar essa "obsessão".



Fonte: http://www.aceprensa.com/articles/titulares-obsesivos-de-la-entrevista-al-papa/

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Um bom cristão não se lamenta


Um bom cristão não se lamenta, mas enfrenta a dor com alegria em Cristo, mesmo no meio de tribulações. Palavras do Papa Francisco na homilia da missa desta manhã (terça-feira) em Santa Marta.

O Papa prosseguiu a sua homilia pondo a tónica na alegria de Paulo e Silas, chamados a enfrentar a prisão e persecuções para transmitir o Evangelho.

Estavam alegres – disse – porque seguiam Cristo no caminho da sua Paixão. Um caminho que o Senhor percorre com paciência… E esse é o caminho que Jesus ensina aos cristãos. Espírito de paciência, o que não quer dizer tristeza, não!

Quer dizer suportar sobre os ombros o peso das dificuldades, o peso das contradições, das tribulações, suportar a vida de todos os dias. (…) Jesus suportou-as com paciência (…).
Um processo de maturidade cristã, através do caminho da paciência. Um processo que não se faz de uma dia para o outro, mas durante toda a vida para se chegar à maturidade cristã. É como o bom vinho”

O Papa recordou depois que muitos mártires sentiam-se felizes, como por exemplo os mártires de Nagazaki que se ajudavam mutuamente, “esperando o momento da morte”. Aliás, diz-se, em relação a alguns mártires – salientou o Papa – que iam ao patíbulo como se vai a uma festa de casamento.

Esta atitude do suportar – acrescentou – é a atitude normal do cristão, mas não é uma atitude masoquista. Antes pelo contrário, é uma atitude que os põe “no caminho de Jesus”: Quando surgem dificuldades, chegam também muitas tentações.

Por exemplo, a lamentação: “viste o que me aconteceu… uma lamentação. E um cristão que se lamenta continuamente deixa de ser um bom cristão: é o senhor ou a senhora das lamentações, não é? (…)

Silencio no suportar, silencio paciente.

Aquele silencio de Jesus que na sua paixão e morte não falou… apenas duas ou três palavras necessária… O silêncio da suportação da Cruz não é um silencio triste. É doloroso, por vezes muito doloroso, mas não é triste.

Papa Francisco
8 maio 2013

sábado, 6 de abril de 2013

Pais de criança deficiente que Papa abraçou falam em testemunho de amor

Os pais de Dominic Gondreau, o jovem com paralisia cerebral que o Papa Francisco pegou ao colo e beijou no Domingo de Páscoa, escreveram sobre a torrente de emoção que o gesto provocou neles e no mundo.
 
Paul Gondreau, que é professor de teologia e está a passar uma temporada em Roma com a família, diz que toda a família desatou a chorar quando o Papa teve aquele gesto e recorda que uma senhora que estava próxima foi dizer à sua mulher: “Sabe, o seu fi lho está cá para nos mostrar como amar”.
 
“Este comentário atingiu a minha mulher como uma confirmação divina daquilo que ela sempre suspeitou: que a vocação especial do Dominic no mundo é levar as pessoas a amar, mostrar-lhes como amar. Os seres humanos são feitos para amar e precisamos de exemplos que nos mostrem como fazê-lo”, escreve Paul num post que foi convidado a escrever para um blogue sobre teologia moral.
“Pela sua partilha na ‘loucura’ da cruz, os deficientes são, na verdade, os mais produtivos de todos nós”, conclui Paul Gondreau.